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domingo, 20 de novembro de 2011

Relação entre PIB e FBCF

O PIB-Produto Interno Bruto* representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos numa região dentro de um determinado período de tempo. É calculado sob três óticas: ótica da produção, da renda, da despesa. Sob a ótica da despesa o cálculo é da seguinte forma:


PIB = C + I + G + (X – M), onde:
C = Consumo das Famílias (consumo privado)
I = Investimento (soma da Formação Bruta de Capital Fixo mais a Variação de Estoques)
G = Consumo do Governo (consumo público)
X = Bens exportados
M = Bens Importados.

Vamos tratar da relação entre PIB e FBCF**, que significa o investimento em máquinas, equipamentos, material de construção, etc. Alguns fatores estimulam esse investimento, em especial: boas perspectivas da economia, redução da taxa de juros, incentivo governamental (como redução da tributação para compra de máquinas). Por outro lado, vemos que para que a economia de um país cresça a taxas mais elevadas é necessário que a FBCF tenha uma participação relativa crescente, mas é preciso observar que nos últimos anos o crescimento do Brasil foi decorrente não só do aumento da FBCF como, também, de um maior consumo das famílias, ou seja, existe uma relação de interdependência entre esses fatores.

Exemplos:
1) se o consumo das famílias aumenta os empresários vão ter interesse em aumentar a capacidade produtiva - oferta de bens e serviços -, elevando a FBCF, que, por outro lado, significa gerar mais emprego (logo, mais consumo), “tudo” isso levando a um aumento do PIB;
2) um aumento do PIB decorrente de uma elevação do consumo, gerando melhores perspectivas da economia, também incentiva mais investimento na capacidade produtiva (mais aumento da FBCF);
3) Se invertermos, agora, o nosso olhar, verificamos que uma maior FBCF permite atender a um aumento do consumo, na medida em que mais bens e serviços serão produzidos, e, em conseqüência, pode evitar a inflação de demanda** (aumento da demanda agregada em relação à oferta agregada).

* http://economistaivangargur.blogspot.com/2009/01/pib-produto-interno-bruto.html
** http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=5178040478652576462&postID=6708325133775173228

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

INFLAÇÃO - IPCA

SEÇÃO “DEU NA MÍDIA”: JORNAL GAZETA MERCANTIL DE ONTEM, PÁG. A4: INFLAÇÃO. IPCA encerra 2008 com alta de 5,90%. O resultado é a menor taxa para o mês de dezembro desde o início do Plano Real.
SEÇÃO “DESCOMPLICANDO A ECONOMIA”: o IPCA é, entre outros, mais um índice que mede a inflação (ainda teremos uma postagem tratando apenas sobre INFLAÇÃO). Esse índice, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo é calculado pelo IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sendo que o período de coletas de dados vai do dia 1º até o dia 30 de cada mês. Esse Índice tem a denominação de Amplo pelo fato de abranger um número maior de produtos, na medida em que inclui famílias com rendimentos entre 1 e 40 salários-mínimos (atualmente de R$415,00 a R$16.600,00), residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, Brasília, e no município de Goiânia.
Tiramos do site do IBGE a estrutura de ponderação do IPCA (válida a partir de 2006):







































alimentos e bebidas22,1417%
habitação13,2752%
artigos de residência5,4821%
vestuário6,1698
transportes20,7942%
saúde e cuidados pessoais10,5068%
despesas pessoais9,2289%
educação6,5536%
comunicação5,8475%
total100,00%


FONTE: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=517&id_pagina=1

A ponderação por regiões também mudou a partir de 2006, e ficou assim:



















































São Paulo33,06%
Rio de Janeiro13,68%
Belo Horizonte10,83%
Porto Alegre8,92%
Curitiba7,42%
Salvador6,87
Belém4,15%
Recife4,10%
Fortaleza3,87%
Goiânia3,73%
Brasília3,37%
Total100,00%


FONTE: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=517&id_pagina=1


Como consta na Gazeta Mercantil de ontem o IPCA variou 5,90% no ano de 2008, e tiramos também do site do IBGE a participação de cada grupo de produtos nesse percentual de 5,90%, ou seja, a variação de preços, em 2008, de cada grupo de produtos e como cada grupo de produtos "contribuiu" com o percentual de 5,90%:















































GrupoVariaçãoContribuição (pontos percentuais)
Alimentação e bebidas11,11%2,42
Habitação5,08%0,67
Artigos de residência1,99%0,09
Vestuário7,31%0,48
Transportes2,32%0,47
Saúde e cuidados pessoais5,73%0,62
Despesas pessoais7,35%0,72
Educação4,56%0,32
Comunicação1,780,11
Total-5,90%


Teria mais coisa para escrever sobre o IPCA, mas vai ficar mais cansativo ainda para quem lê, então deixaremos para outra postagem, mas se você quiser saber mais sobre inflação veja a postagem “Deflação em Dezembro”, de 29.12: http://economistaivangargur.blogspot.com/2008/12/deflao-em-dezembro.html”.~

NOTA: deu para perceber como ainda estou "apanhando" do blog, não é? consigo colocar a tabela corretamente, utilizando o editor de html, mas não estou conseguindo evitar que fique com esse espaço enorme entre o texto e a tabela, vou me informar e procurar corrigir (PEÇO DESCULPAS).

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

DEFLAÇÃO EM DEZEMBRO

SEÇÃO “DEU NA MÍDIA”: “FGV: inflação pelo IGP-M em 2008 é a maior em 4 anos
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou deflação em dezembro, o que ajudou a reduzir, mas não evitou, a alta apresentada pelo indicador em 2008. Segundo dados divulgados hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o IGP-M caiu 0,13% este mês, ante aumento de 0,38% no mês anterior. No ano, a inflação pelo IGP-M subiu 9,81%, o que representa a maior taxa desde 2004, quando o índice subiu 12,41%. Em 2007, o IGP-M teve elevação de 7,75%.
O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de dezembro foi do dia 21 de novembro a 20 de dezembro.”:
(http://noticias.br.msn.com/economia/artigo.aspx?cp-documentid=16341148) .

SEÇÃO “DESCOMPLICANDO A ECONOMIA”: prometo em outra oportunidade falarei sobre INFLAÇÃO e os diversos ÍNDICES QUE CALCULAM A INFLAÇÃO, mas hoje vamos discutir o IGP-M, por causa dessa nota que está na internet hoje. O IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela FGV – Fundação Getúlio Vargas, é uma média ponderada de três outros índices, explico:
o Índice de Preços por Atacado (IPA) tem peso de 60% no IGP-M, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) tem peso de 30% no IGP-M, e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) tem peso de 10% no IGP-M. Complicou? Vou fazer uma analogia para tentar clarear:

quando uma pessoa faz vestibular para Direito, por exemplo, a prova de História tem peso maior do que a de Química; quando uma outra pessoa faz vestibular para Engenharia a prova que tem maior peso é a de Matemática, e por aí vai; então é dessa forma que a FGV calcula o IGP-M, ou seja, o IGP-M é composto por outros três índices, IPA, IPC e INCC, mas cada um desses três índices entra no cálculo do IGP-M com um peso distinto, e tem mais um detalhe:

- o IPA calcula variação de preço de 431 produtos no atacado, ou seja, sem relação direta com o consumidor final;
- o IPC calcula variação de preço de cerca de 388 produtos no eixo Rio-São Paulo;
- e o INCC calcula variação de preço do material de construção e da mão-de-obra, sendo que representa a média do ICC-Índice da Construção Civil de 12 municípios.

Você está vendo na nota que saiu na mídia que “o período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de dezembro foi do dia 21 de novembro a 20 de dezembro”. O IGP-M é sempre assim, a aferição dos preços é entre o dia 21 do chamado mês anterior e o dia 20 do mês de referência (no presente caso, dezembro).

Pegamos agora no site http://www.coreconsp.org.br/ a variação do IGP-M durante todo este ano:
DEZEMBRO - 0,13%
NOVEMBRO + 0,38%
OUTUBRO + 0,98%
SETEMBRO + 0,11%
AGOSTO - 0,32%
JULHO + 1,76%
JUNHO + 1,98%
MAIO + 1,61%
ABRIL + 0,69%
MARÇO + 0,74%
FEVEREIRO + 0,53%
JANEIRO + 1,09%

Observem que no mês de agosto último e agora em dezembro o sinal foi negativo, o que representa que não ocorreu INFLAÇÃO (“aumento contínuo e generalizado dos preços”, mas isso é assunto para outra postagem), mas, sim, DEFLAÇÃO. A DEFLAÇÃO é chamada de “inflação negativa”, ou o “oposto da inflação”: DEFLAÇÃO É A QUEDA GENERALIZADA DOS PREÇOS. É, gente, no cômputo geral os preços regrediram neste mês; mas aí você pode estranhar: "poxa, tal produto ficou mais caro e os economistas dizem que houve deflação, que zorra é essa?" Lembre o que escrevemos acima, não são TODOS OS PRODUTOS que entram no cálculo da inflação. Para a deflação em dezembro alguns produtos tiveram ALTA DE PREÇO e outros REDUÇÃO NO PREÇO, exemplos de produtos que maiores contribuíram (informações constantes em http://www.fgv.br/dgd/asp/index.asp ) :

TOMATE (entra no IPC): alta de 64,80%
CACAU (entra no IPA): alta de 17,03%
TINTA A BASE DE PVA (entra no INCC): alta de 2,09%
LIMÃO (entra no IPC): redução de 28,78%
NAFTA PARA PETROQUÍMICA (entra no IPA): redução de 28,82%
CONDUTORES ELÉTRICOS/FIOS E CABOS (entram no INCC): redução de 6,43%

NOTA: conforme pode ser visto na SEÇÃO "DEU NA MÍDIA", mesmo com deflação em agosto e em dezembroo ano de 2008 "fecha" com uma inflação de 9,81%.
QUER SABER MAIS SOBRE IGP-M E A DEFLAÇÃO EM DEZEMBRO, ACESSE
http://www.fgv.br/dgd/asp/index.asp