Contador de visitas

Mostrando postagens com marcador SFN-Sistema Financeiro Nacional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SFN-Sistema Financeiro Nacional. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de março de 2009

MAIS OUSADIA, BANCO CENTRAL, MAIS OUSADIA

Na reunião de ontem o COPOM-Comitê de Política Monetária decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa SELIC em 1,5 ponto percentual, ficando agora em 11,25%. Para o conservadorismo do COPOM uma redução de 1,5 até foi alta, mas para o atual momento, com essa retração da economia, esperava-se que a redução fosse maior haja vista a necessidade de aumentarmos o consumo - gerando emprego -, e amenizando os efeitos da crise econômica. A decisão do COPOM foi "sem viés".
A necessidade de dinamizar o consumo tem levado a quase totalidade dos demais países a reduzirem suas taxas de juros para níveis extremamente baixos, conforme podemos ver na coluna de Benjamin Steinbruch publicada no jornal A Tarde de ontem. Mesmo com essa redução de 1,5 ponto percentual o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros reais do mundo(taxa nominal - hoje em 11,25% - descontando-se a inflação).

Sobre o "sem viés" leia:

quarta-feira, 4 de março de 2009

RECOLHIMENTO COMPULSÓRIO II

Ainda em relação ao Recolhimento Compulsório (v. primeira postagem sobre o assunto em:
http://economistaivangargur.blogspot.com/2009/02/recolhimento-compulsorio-i.html ).
Além dos percentuais de 45%, 20% e 15%, existem as EXIGÊNCIAS ADICIONAIS: o banco deve recolher, ainda, 8% sobre o depósito à visa, 10% sobre a poupança, e 8% sobre o depósito a prazo, mas veja só, se, ao somar o valor desses adicionais, o total for inferior a R$300 milhões, o banco fica dispensado de recolher, e, ultrapassando esse limite, o banco vai recolher sobre a parcela que ultrapassar os R$300 milhões.

Obs.: até pouco tempo atrás o limite para isenção era de R$100 milhões, o governo aumentou para R$300 milhões visando "liberar" mais dinheiro para o Sistema Financeiro.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

RECOLHIMENTO COMPULSÓRIO I

Muita gente acha que os bancos podem dispor de todo o dinheiro depositado neles. Na realidade, parte desse dinheiro o banco tem de recolher (ou depositar) numa conta do Banco Central do Brasil, é o chamado RECOLHIMENTO ou DEPÓSITO COMPULSÓRIO. É uma política utilizada pelo governo visando combater a inflação. Quando a inflação começa a subir o governo pode aumentar o percentual do recolhimento compulsório; assim, o Banco Central está tirando dinheiro de circulação, a população com uma menor quantidade de dinheiro vai comprar menos, logo o empresário vai pensar duas vezes antes de aumentar o preço dos seus produtos.
Olhando agora o outro lado: com a redução do percentual do recolhimento compulsório o Banco vai dispor de mais dinheiro, logo isso pode levar a uma redução da taxa de juros e, consequentemente, ao aumento do crédito (aumentando o consumo e o emprego).

Como era o recolhimento compulsório (antes da crise internacional que levou o governo brasileiro a adotar medidas para, pelo menos, minorar os efeitos da crise):

SOBRE O DINHEIRO DEPOSITADO A VISTA: 45%
SOBRE O DINHEIRO DEPOSITADO NA CADERNETA DE POUPANÇA: 20%
SOBRE O DINHEIRO DEPOSITADO A PRAZO: 15%
SOBRE O LEASING (o recolhimento compulsório sobre o leasing está sendo implantado gradualmente): 15%

Como está hoje o recolhimento compulsório após o governo ter tomado algumas medidas com a finalidade dos bancos terem mais dinheiro visando aumentar o crédito:

SOBRE O DINHEIRO DEPOSITADO A VISTA: 42%
SOBRE O DINHEIRO DEPOSITADO NA CADERNETA DE POUPANÇA: 20%
SOBRE O DINHEIRO DEPOSITADO A PRAZO: 15%
SOBRE O LEASING (o recolhimento compulsório sobre o leasing está sendo implantado gradualmente): 15%

NOTA: o recolhimento compulsório referente ao depósito à vista fica “parado”, não recebe qualquer remuneração; já o relativo à caderneta de poupança o Banco Central paga ao Banco a TR(Taxa Referencial) + 3% ao ano; no que diz respeito ao depósito a prazo 30% é remunerado enquanto 70% não sofre remuneração.

OBS.:
a) para simplificar não vamos falar aqui em EXIGÊNCIAS ADICIONAIS, DESCONTOS, e nem em LIMITES MÍNIMOS, isso ficará para outra oportunidade;
b) ficarei devendo também uma explicação sobre a TR-Taxa Referencial.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

SPREAD (MAIS UM PALAVRÃO)

SEÇÃO “DEU NA MÍDIA” - Folha de São Paulo de ontem, 22.02, pág. B4 do Caderno Dinheiro: “Banco vê erro em debate sobre taxa de juros. Sociedade deve atacar ‘a causa, e não o sintoma’, do ‘spread’ elevado, afirma o presidente da FEBRABAN, Fábio Barbosa. Para executivo, Brasil será um dos poucos países com crescimento durante a crise; mas, mesmo assim, haverá mudanças após turbulência”.

SEÇÃO “DESCOMPLICANDO A ECONOMIA” -
SPREAD: extensão, amplitude, envergadura. Em Economia o spread significa, grosso modo, a margem de lucro do Banco. Quando uma pessoa investe um dinheiro num banco vai receber juros em decorrência desse investimento, ao mesmo tempo o banco, ao emprestar dinheiro a uma outra pessoa, vai cobrar uma determinada taxa de juros, o spread, então, é a diferença entre os juros que o banco cobra ao emprestar o dinheiro e os juros que paga ao investidor. Veja uma explicação bem didática apresentada pelo sociólogo e cientista político Emir Sader (fizemos uma pequena adaptação):

“’Spread' ou a farra especulativa
Emir Sader, 22 de fevereiro, 2004

Entre em um banco e deposite 100 reais em uma caderneta de poupança. O funcionário lhe dirá para retornar daqui a um mês, para receber seus polpudos dividendos, algo como R$ 100,60. Em seguida, ao mesmo funcionário, no mesmo balcão, uma outra pessoa pede 100 reais emprestados. Receberá a resposta de que - além de todos os trâmites de cadastro, garantia, ficha pregressa etc. -, deverá pagar, daqui a um mês, algo como 109 reais.

Essa ''pequena'' diferença - algo como 15 vezes mais - é o que os bancos e os economistas, ministros, presidentes de bancos centrais, e todos os que funcionam como seus ventríloquos, chamam de spread. Em inglês, para melhor disfarçar, como convêm ao economês”.

Num momento em que se fala tanto que uma das saídas para a crise é aumentar o consumo (aumentando o crédito), pois aumentando o consumo a tendência é a empresa produzir mais, logo, gerar emprego, o fato dos bancos não reduzirem o spread não permite que os empréstimos fiquem mais baratos, logo isso limita o consumo. O spread bancário no Brasil é um dos mais altos do mundo.

Composição do spread bancário em 2007 (proporção)
Fonte:
http://www.bcb.gov.br/Pec/Depep/Spread/relatorio_economia_bancaria_credito2007.pdf :

Custo administrativo – 13,50%
Inadimplência – 37,35%
Custo do compulsório* – 3,60% (arredondei)
Tributos e taxas – 8,09%
Impostos diretos – 10,53%
Resíduo líquido – 26,93% (lucro)
TOTAL – 100,00%

Em outra postagem discutiremos mais sobre o spread bancário.

*Depósito (ou Recolhimento) compulsório: explicaremos em outro momento

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

COPOM

SEÇÃO “DEU NA MÍDIA”:

Site do UOL (http://economia.uol.com.br/ultnot/valor/2008/12/10/ult1913u98886.jhtm): “10/12/2008 - 08h09. Decisão do Copom é o destaque da quarta-feira. SÃO PAULO - Hoje, os investidores conhecem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa de juro brasileira. A expectativa é de estabilidade da Selic em 13,75% ao ano. A atenção recai no placar da decisão, que pode dar uma pista sobre o próximo movimento do colegiado, que muitos acreditam ser de baixa de juro. Como a decisão será apresenta após o encerramento dos mercados, a reação fica para a quinta-feira. (Eduardo Campos Valor Online)”

SEÇÃO “DESCOMPLICANDO A ECONOMIA”:

COPOM – CONSELHO DE POLÍTICA MONETÁRIA - Instituído em 20 de junho de 1996. A partir do Decreto 3.088, de 21 de junho de 1999, as decisões do COPOM passaram a ter como objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional (órgão máximo do SFN-Sistema Financeiro Nacional). Tem como objetivos: implementar a política monetária, definir a meta da Taxa SELIC* e seu eventual viés*, e analisar o 'Relatório de Inflação'". As reuniões ordinárias do COPOM dividem-se em dois dias: a primeira sessão às terças-feiras e a segunda às quartas-feiras. São oito reuniões (ordinárias) por ano sendo que o calendário dessas reuniões é divulgado até o fim de outubro do ano anterior (então o calendário das reuniões de 2009 foi divulgado até outubro passado).
Calendário das reuniões para 2009:
20 e 21 de janeiro
10 e 11 de março
28 e 29 de abril
9 e 10 de junho
21 e 22 de julho
1º e 2 de setembro
20 e 21 de outubro
8 e 9 de dezembro

O COPOM é composto pelos membros da Diretoria do Banco Central do Brasil:
- o presidente, que tem o voto de qualidade,
- diretor de Política Monetária,
- diretor de Política Econômica,
- diretor de Estudos Especiais,
- diretor de Assuntos Internacionais,
- diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro,
- diretor de Fiscalização, Liquidações e Desestatização,
- diretor de Administração.

Na primeira sessão, ou seja, na terça-feira, também participam da reunião:
- chefe do Departamento Econômico (Depec),
- chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin),
- chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban),
- chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab),
- chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep),
- gerente-executivo da Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin),
-três consultores,o secretário-executivo da Diretoria, o assessor de imprensa, o assessor especial e, sempre que convocados, outros chefes de departamento convidados a discorrer sobre assuntos de suas áreas.

ATENÇÃO: na reunião de ontem, 10.12, o COPOM decidiu manter a SELIC em 13,75% a.a. (ao ano), sendo que a Ata dessa reunião será divulgada dia 18.12 (a Ata é divulgada sempre na quinta-feira da semana seguinte).
Quer saber mais sobre COPOM acesse http://www.bcb.gov.br/?COPOM , de onde foram extraídas essas informações.

*Achamos por bem, em outra postagem, falar sobre a SELIC e o viés