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quinta-feira, 12 de março de 2009

MAIS OUSADIA, BANCO CENTRAL, MAIS OUSADIA

Na reunião de ontem o COPOM-Comitê de Política Monetária decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa SELIC em 1,5 ponto percentual, ficando agora em 11,25%. Para o conservadorismo do COPOM uma redução de 1,5 até foi alta, mas para o atual momento, com essa retração da economia, esperava-se que a redução fosse maior haja vista a necessidade de aumentarmos o consumo - gerando emprego -, e amenizando os efeitos da crise econômica. A decisão do COPOM foi "sem viés".
A necessidade de dinamizar o consumo tem levado a quase totalidade dos demais países a reduzirem suas taxas de juros para níveis extremamente baixos, conforme podemos ver na coluna de Benjamin Steinbruch publicada no jornal A Tarde de ontem. Mesmo com essa redução de 1,5 ponto percentual o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros reais do mundo(taxa nominal - hoje em 11,25% - descontando-se a inflação).

Sobre o "sem viés" leia:

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

ALELUIA, ALELUIA, BANCO CENTRAL

Na postagem do dia 19 tinhamos colocado que o Banco Central não teria a coragem e a ousadia de reduzir a taxa SELIC para 12,75%, pois não é que "queimei a língua" (ainda bem); surpreendentemente o BACEN reduziu a taxa em um ponto percentual, tudo bem que a decisão não foi unânime, 3 integrantes do Colegiado (COPOM) queriam a redução de 0,75, mas a maioria (5 integrantes) decidiu por uma redução maior.

Leia sobre o COPOM e a taxa SELIC em:
http://economistaivangargur.blogspot.com/2008/12/copom.html
http://economistaivangargur.blogspot.com/2008/12/selic-e-taxa-selic.html

Veja o comunicado constante no site do Banco Central (mas lembro que só na quinta-feira da próxima semana, 29.01, será publicada a Ata da reunião do COPOM, aí sim saberemos detalhes sobre o que foi discutido):

"Copom reduz a taxa Selic para 12,75% ao ano
21/1/2009 18:58:00

Brasília – Avaliando as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 12,75% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e três votos pela redução da taxa Selic em 0,75 p.b. Com isso, o Comitê inicia um processo de flexibilização da política monetária realizando de imediato parte relevante do movimento da taxa básica de juros, sem prejuízo para o cumprimento da meta para a inflação.

21 de janeiro de 2009

Banco Central do Brasil
Assessoria de Imprensa
imprensa@bcb.gov.br
(61) 3414-3462".

SEÇÃO “DESCOMPLICANDO A ECONOMIA”: veja que na nota acima tem "...12,75% a. a. sem viés,..."; na postagem sobre o COPOM, datada de 11.12.08, colocamos que a segunda reunião do COPOM, neste ano, será 10 e 11 de março; quando hoje, 21.01, o COPOM toma uma decisão e coloca o termo “sem viés”, quer dizer que o COPOM não modificará os juros antes da próxima reunião, ou seja, só teremos uma nova decisão na reunião de março. UM EXEMPLO: vamos supor que a decisão de hoje, do COPOM, fosse de REDUZIR A TAXA SELIC PARA 12,75% A. A. COM VIÉS DE BAIXA, significaria que antes mesmo da reunião de 10 e 11 de março o COPOM poderia reduzir a taxa SELIC, o mesmo exemplo pode ser olhado se a decisão tivesse sido de REDUZIR A TAXA SELIC PARA 12,75% A.A. COM VIÉS DE ALTA, isso indicaria que, antes mesmo de 10 e 11 de março o COPOM poderia aumentar a taxa SELIC. Como a decisão foi de redução mas SEM VIÉS, a taxa ficará em 12,75% até a reunião de março.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

JUÍZO, BANCO CENTRAL, JUÍZO

A reunião do COPOM-Conselho de Política Monetária, que vai fixar a nova taxa SELIC (taxa básica de juros), vai acontecer amanhã e depois, 20 e 21. Eu ia dizer que o país todo - à exceção do sistema financeiro - clama por uma redução da taxa (os últimos números de redução da atividade econômica na indústria brasileira são preocupantes), mas até Márcio Cypriano, presidente do bradesco, pediu a Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, a redução da taxa SELIC. Se o COPOM tivesse ousadia e coragem reduziria a taxa dos atuais 13,75% a. a. para 12,75 a. a., mas como essa não é a característica do COPOM acreditamos que, na melhor das hipóteses, a redução será para 13,25%.

Como o COPOM, ao fixar a SELIC, olha a trajetória da inflação, quem tiver interesse pode assistir um vídeo com a entrevista coletiva de divulgação do Relatório de Inflação elaborado pelo Banco Central, ocorrida em 22.12.08 (apresentação: Diretor Mário Mesquita).
Basta acessar:
http://www.bcb.gov.br/pec/relinf/apres-20081222/player_frame.html

Para fins didáticos quero informar que logo no início da entrevista é feita referência ao índice CRB:
Índice CRB: aponta a evolução de preços das commodities mais negociadas no mercado internacional, como café, petróleo, ouro, algodão, etc.
Commodities: "(significa mercadoria em inglês) pode ser definido como mercadorias, principalmente minérios e gêneros agrícolas, que são produzidos em larga escala e comercializados em nível mundial. As commodities são negociadas em bolsas de mercadorias, portanto seus preços são definidos em nível global, pelo mercado internacional.
As commodities são produzidas por diferentes produtores e possuem características uniformes. Geralmente, são produtos que podem ser estocados por um determinado período de tempo sem que haja perda de qualidade. As commodities também se caracterizam por não ter passado por processo industrial, ou seja, são geralmente matérias-primas.
O Brasil é um grande produtor e exportador de commodities. As principais commodities produzidas e exportadas por nosso país são: petróleo, café, suco de laranja, minério de ferro, soja e alumínio. Se por um lado o país se beneficia do comércio destas mercadorias, por outro o torna dependente dos preços estabelecidos internacionalmente. Quando há alta demanda internacional, os preços sobem e as empresas produtoras lucram muito. Porém, num quadro de recessão mundial, as commodities se desvalorizam, prejudicando os lucros das empresas e o valor de suas ações negociadas em bolsa de valores” (disponível em: http://www.suapesquisa.com/o_que_e/commodities.htm ).

Para ler sobre o COPOM e sobre a TAXA SELIC:
http://economistaivangargur.blogspot.com/2008/12/copom.html
http://economistaivangargur.blogspot.com/2008/12/selic-e-taxa-selic.html

sábado, 13 de dezembro de 2008

SELIC e TAXA SELIC

SEÇÃO “DESCOMPLICANDO A ECONOMIA” – No SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) são registradas as negociações com títulos públicos federais* (aqueles emitidos pelo Tesouro Nacional – Ministério da Fazenda – e pelo Banco Central). O SELIC também faz a custódia desses títulos.

A TAXA SELIC, conforme vimos na postagem de 11.12, é fixada pelo COPOM (Conselho de Política Monetária). O que destaco com meus alunos em sala de aula é a necessidade de se entender a TAXA SELIC como a taxa básica (a referência) para todo o sistema financeiro. Lembrem que na reunião desta semana o COPOM decidiu manter a TAXA SELIC em 13,75% ao ano. Quando o COPOM aumenta a TAXA SELIC a tendência é que as taxas do mercado financeiro (financiamento, empréstimo, cartão de crédito, cheque especial, etc etc) aumentem, ou seja, o crédito fica mais caro. Então, claro, o COPOM reduzindo a TAXA SELIC a tendência é que as taxas do mercado financeiro diminuam (o crédito fica mais barato). Sendo assim, a TAXA SELIC é um instrumento de política monetária*: quando a inflação começa a subir o COPOM aumenta a TAXA SELIC para desestimular a demanda (procura) fazendo com que os empresários “segurem” o preço dos produtos. Mas é claro que é uma política que, ao reduzir a demanda, está freando o crescimento do país, logo, não gera emprego. O oposto: com inflação menor o COPOM pode reduzir a TAXA SELIC, a expectativa é que o consumidor compre mais (pois espera-se uma redução nas taxas do cheque especial, cartão de crédito, etc), logo teremos uma maior geração de emprego pois as empresas vão produzir mais.

Outra função da TAXA SELIC: quando uma pessoa parcela um débito que tem com algum órgão federal (Receita federal, ou outro), os valores são corrigidos, mensalmente, pela TAXA SELIC (exemplo: quem declarou Imposto de Renda no mês de abril e teve um imposto a pagar para a Receita, e resolveu parcelar esse pagamento, as parcelas mensais serão corrigidas pela TAXA SELIC). O contrário: a TAXA SELIC também corrige a devolução do Imposto de Renda, agora mesmo saiu o 7° lote do Imposto de Renda (lembre que a declaração foi em abril), o valor que a Receita Federal está restituindo para o contribuinte também é corrigido pela TAXA SELIC.

TAXA SELIC e o capital especulativo: com uma maior TAXA SELIC os rendimentos das aplicações financeiras também sobem, então o capital estrangeiro especulativo* (capital de curto prazo, ou “capital motel” como denominou o economista Carlos Lessa) entra com mais facilidade no país, mas é um capital que, da mesma forma que foi trazido com facilidade para aproveitar as altas taxas de juros também pode, a qualquer momento, ser retirado do país causando instabilidade. PAROU AQUI? NÃO. E A QUESTÃO CAMBIAL? Como é um tema (entre muitos outros em economia) controverso veremos, também em outra oportunidade, se a TAXA SELIC influencia o câmbio.

* Em outro momento falaremos com detalhes sobre:
1. títulos públicos federais
2. política monetária
3. capital estrangeiro especulativo
4. capital estrangeiro produtivo
5. câmbio

P.S.:
- meu paciente leitor, essa é a dificuldade (e o gostoso) na Economia, uma “coisa” vai puxando “outra” e por aí adiante, vejam que fui tentar explicar a TAXA SELIC e “fui levado”, no mínimo, para títulos públicos federais, política monetária, câmbio, etc etc. Em outra oportunidade falaremos sobre isso;
- MESMO QUE TENHA FICADO UM POUCO CONFUSO, OU COM MUITOS DETALHES, ACREDITO QUE FICOU CLARA A IMPORTÂNCIA DA TAXA SELIC PARA A ECONOMIA.