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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A PREFEITURA VIROU LOJA

SEÇÃO “DEU NA MÍDIA”: jornal A Tarde de hoje, nota constante na Capa do Jornal, referente a matéria sobre “despesas” no início do ano (IPTU, IPVA, escola,):
“IPTU. Vale a pena pagar adiantado e tentar conseguir um bom desconto”.
SEÇÃO “DESCOMPLICANDO A ECONOMIA”: é, gente, o relógio marcava 5 e 20 quando peguei o Jornal A Tarde e li, logo na capa do jornal, essa aberração, dizendo que pagando o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) adiantado você pode(????) tentar (?????) conseguir um bom desconto. O pagamento do IPTU pode ser parcelado (geralmente até 11 cotas), ou pode ser feito em cota única COM DESCONTO DE 10%; esse desconto já vem estipulado no carnê, já é fixo, não tem como se “conseguir um bom desconto” como o jornal colocou. Em loja é que pagando à vista a gente fica “chorando”, negociando, um desconto. Pisada na bola Jornal A Tarde.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

BOLSA DE VALORES I

TENHO RECEBIDO MUITOS PEDIDOS PARA FALAR SOBRE O FUNCIONAMENTO DA BOLSA DE VALORES. COMO É UM ASSUNTO BEM EXTENSO VOU COMEÇAR HOJE E, PAULATINAMENTE, COLOCAREI MAIS INFORMAÇÕES.
1. São várias as formas de se constituir uma empresa. Exemplos:
a) Firma Individual;
b) Sociedade Comercial por Quotas de Responsabilidade Limitada (Ltda.);
c) Sociedade Anônima (S/A);
d) Etc.
O tipo de Companhia que nos interessa aqui é a Sociedade Anônima (S/A.), regida pela Lei 6.404/76 e leis posteriores: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm). As Sociedades Anônimas também são tratadas no novo Código Civil (instituído pela Lei n° 10.406/02, que entrou em vigor em 11 de janeiro de 2003, artigos 1.088 e 1.089):
http://planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm .

Quando é constituída uma S/A significa que o capital da Empresa é dividido em cotas denominadas de AÇÕES. E aqui vem meu primeiro alerta: muita gente acha que toda S/A tem suas ações negociadas na Bolsa de Valores (no caso do Brasil, na BOVESPA-Bolsa de Valores de São Paulo), isso é um engano. Tem ações negociadas na BOVESPA as Companhias (S/A.) DE CAPITAL ABERTO. Existe um outro tipo de S/A., que são as Sociedades Anônimas de CAPITAL FECHADO, que não têm ações negociadas no mercado de valores mobiliários.

EXEMPLO: acessei agora o site do UOL e encontrei a seguinte informação:

“Kalunga investe em expansão e se prepara para virar S/A.
Basta passar em frente a uma das novas lojas da Kalunga para perceber que a empresa está em fase de mudanças. Mas por trás da reformulação visual das lojas e das recentes inaugurações em pontos nobres da capital paulista - como as avenidas Paulista e Rebouças - está a decisão de profissionalizar a gestão e se tornar uma S/A.
Em entrevista ao UOL Business, Damião Garcia, presidente da Kalunga, fala sobre a nova fase da maior distribuidora de materiais escolares e produtos para escritório e informática do Brasil. 'Há tempos eu venho batalhando por isso. Felizmente agora, de um ano para cá, decidimos fazer essa mudança', diz Garcia, que descarta a possibilidade de abrir capital. "A Kalunga vai continuar sendo uma empresa de capital fechado, porque felizmente não temos necessidade de buscar capital para investimentos." (o negrito foi meu). Então, esse é o tipo de Empresa que vai se transformar numa SOCIEDADE ANÔNIMA, mas vai ser uma SOCIEDADE ANÔNIMA DE CAPITAL FECHADO, vai ter ações mas essas não serão vendidas (negociadas) na Bolsa de Valores. Diferentemente da SOCIEDADE ANÔNIMA DE CAPITAL ABERTO que, aí sim, as ações são negociadas na Bolsa.

Atualmente existem cerca de 500 empresas listadas na BOVESPA, o que é muito pouco para o tamanho da economia brasileira. Quer ver a relação de todas as empresas que estão na BOVESPA? Clique em http://www.bovespa.com.br/Principal.asp .

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

OLHEM QUE NOME BONITO: formação bruta de capital fixo

SEÇÃO “DEU NA MÍDIA”: Coluna “Opinião Econômica” da última terça-feira, 23.12, autor: Benjamin Steinbruch (Diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional): A única certeza é que vivemos momentos de incerteza. Então, o melhor que temos a fazer às vésperas do Natal, é cuidar de dois aspectos que podem ser determinantes para os meses que vêm por aí.
O primeiro aspecto diz respeito ao nível de emprego, fator-chave para a definição da temperatura da economia nos próximos meses. O segundo aspecto é o investimento. Os números do terceiro trimestre também surpreenderam no item investimento, que cresceu 19,7% em um ano, recorde desde que o IBGE passou a divulgar esses dados, em 1.996. Com esse resultado, a taxa de investimento, que os economistas chamam de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), atingiu 20,4%. Quando a taxa de investimento chega a esse nível – razoável em termos internacionais, mas muito bom para o Brasil -, significa que o parque produtivo do País terá capacidade para aumentar sua produção nos próximos anos sem provocar inflação.

SEÇÃO “DESCOMPLICANDO A ECONOMIA”:
Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF): significa o aumento da capacidade produtiva de um país; é o investimento que os empresários fizeram, principalmente em máquinas, equipamentos e material de construção, ou seja, se está aumentando esse tipo de investimento significa que o empresariado está confiante quanto ao futuro da economia; se as empresas estão comprando mais máquinas, por exemplo, isso significa que elas estão se preparando para produzir mais bens de consumo (roupa, geladeira, fogão, etc). Agora vamos relacionar a FBCF com a INFLAÇÃO DE DEMANDA e com a TAXA SELIC
(v. http://economistaivangargur.blogspot.com/2008/12/selic-e-taxa-selic.html).
Como vimos na postagem de 11.12 quando o Conselho de Política Monetária-COPOM (v. http://economistaivangargur.blogspot.com/2008/12/copom.html) diminui a TAXA SELIC a tendência é que diminua o custo do empréstimo (lembre que o “preço do dinheiro é a taxa de juros”), logo isso facilita que o empresário possa recorrer a empréstimos no sistema financeiro para adquirir as tais máquinas e equipamentos, logo: uma MENOR TAXA SELIC deve facilitar a COMPRA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS aumentando a capacidade de produção (OFERTA) das Empresas. E a FBCF com a INFLAÇÃO DE DEMANDA?

INFLAÇÃO DE DEMANDA: muita gente fala que é quando aumenta a demanda (procura) agregada por determinado produto, na realidade essa é uma definição incompleta pois se aumentar a demanda (procura) por um determinado produto e existir esse produto em quantidade suficiente, não tem como termos INFLAÇÃO DE DEMANDA; exemplo: se as pessoas querem comprar um determinado modelo de computador e existir, no mercado, esse computador em quantidade suficiente para atender a todo mundo então o preço do computador não sofrerá acréscimo, logo, não teremos INFLAÇÃO DE DEMANDA, agora, caso a quantidade de computador não atenda a todo mundo – ou seja, a produção, a oferta, for pequena -, então podemos ter aumento do preço do computador; EM RESUMO: INFLAÇÃO DE DEMANDA é quando aumenta a demanda agregada EM RELAÇÃO à oferta agregada. Tudo isso para relacionar, agora, INFLAÇÃO DE DEMANDA com TAXA SELIC. Vocês já viram como o Banco Central resiste a reduzir a TAXA SELIC, ao contrário, durante o primeiro semestre constantemente veio aumentando a taxa, motivo: o medo, justamente, da demanda aumentar muito e a oferta (produção), não conseguir atender a demanda, logo gerando inflação. Pois bem, na medida em que cresce a FORMAÇÃO BRUTA EM CAPITAL FIXO, ou seja, aumenta a taxa de investimento, ou seja (de novo), as empresas compram mais máquinas e equipamentos, elas estão se preparando para produzir mais justamente para atender uma maior demanda; é a capacidade de OFERTA (PRODUÇÃO) crescendo, isso vai facilitar (permitir) que o COPOM reduza a taxa SELIC, pois mesmo que a DEMANDA aumente as Empresas estarão prontas para atender esse aumento de demanda, logo a tendência é que não haja inflação (de demanda).

domingo, 21 de dezembro de 2008

RESERVAS INTERNACIONAIS

SEÇÃO “DEU NA MÍDIA”: Jornal “Gazeta Mercantil” deste final de semana (19 a 21.12.08), pág. B1: Reservas crescem apesar de ação do BC. Ganho com títulos do Tesouro dos EUA mais que compensam venda de dólares. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que o Brasil gastou US$ 9,8 bilhões das reservas internacionais para conter a alta do dólar desde o início da crise financeira global, mas que isso não é problema. As perdas já foram repostas e o estoque das reservas não pára de crescer, atingindo US$ 209,2 bilhões, segundo as últimas posições do BC. No final de outubro, auge da turbulência financeira, as reservas somavam US$201,3 bilhões. Meirelles explicou que o aumento do estoque de reservas deve-se à remuneração das aplicações feita com os dólares brasileiros no Exterior. Os títulos do Tesouro norte-americano estão se valorizando e isso se reflete nas reservas do BC.
SEÇÃO “DESCOMPLICANDO A ECONOMIA”:
RESERVAS INTERNACIONAIS – Do mesmo modo que uma pessoa pode ter uma poupança, os países também têm, só que a “poupança” do país é denominada de Reservas Internacionais. Um bom nível de reservas é traduzido em maior credibilidade do país, é sinal de uma economia mais estável. Essa “poupança” é formada por moedas fortes e aceitas internacionalmente. É um fator importante para ajudar um país a enfrentar crises (como agora que a crise imobiliária nos EUA se espalha pelo mundo, um dos pontos mais favoráveis ao Brasil para enfrentar essa crise é, justamente, o nível das Reservas Internacionais). É claro que esse dinheiro não fica “parado”, o Banco Central, que é quem administra essas Reservas, investe esse dinheiro. Tradicionalmente considera-se que o país tem de ter de Reservas, no mínimo, o equivalente a três meses de importação. Exemplo: entre julho e outubro deste ano o Brasil importou cerca de 17 bilhões de dólares por mês ( http://www.bcb.gov.br/?SERIEBALPAG ), então o nível mínimo de Reservas do Brasil seria em torno de 51 bilhões de dólares; como vimos na Seção “DEU NA MÍDIA” acima nosso nível encontra-e em torno de 200 bilhões de dólares (o nível das Reservas em 18 de dezembro de 2008 era de US$ 208.473 milhões: http://www4.bcb.gov.br/?RP20081218 ). Pois bem, por motivos que não vamos discutir hoje, após a crise norte-americana o valor do dólar começou a subir muito em relação ao Real (era de R$1,59 em 30 de junho último e encontra-se, agora, em R$2,38 (“pesquei” esse valor no jornal Folha de São de Paulo de hoje). Pois bem, com o dólar mais caro (que significa que nossa moeda, o Real, está mais barato), quem importa sai perdendo pois vai pagar mais caro pela importação, e lembrem que não estou falando só em importação de bens de consumo não, falo também em importação de matérias-primas (temos produtos que 80 a 90% da matéria-prima utilizada para a fabricação é importada). O que faz o governo para tentar “segurar” um pouco o dólar e não deixar ele ficar mais caro ainda: tira dólares justamente das nossas Reservas Internacionais, coloca esses dólares no mercado, ou seja, “vende” esses dólares, pois com mais dólares agora no mercado, (“colocados” pelo Governo), o preço do dólar não deve subir muito. Ficou confuso? É por que você tem de imaginar a moeda como uma mercadoria, se tiver muito muito tomate no mercado, o valor do tomate não cai? A mesma coisa a moeda (no caso, o dólar), o governo ao “colocar” dólares no mercado quer que o valor dele caia, ou, pelo menos, deixe de subir. Mas aí vem aquela história, o governo tira dólares das reservas, “bota” no mercado para segurar o preço dele, mas e no nível das Reservas? Se o governo fizer isso continuamente nossas Reservas vão para o beleléu (eita palavrinha feia), nossa credibilidade e estabilidade idem. Então vamos lá para cima: Seção “DEU NA MÍDIA”: o governo sacou quase 10 bilhões de dólares da “poupança” – Reservas - “para conter a alta do dólar desde o início da crise financeira global”, então era para o nível das Reservas ter diminuído em quase 10 bilhões (e a gente começar a se preocupar, né?). Mas você observou que, lá no início, eu disse que o Banco Central investe o dinheiro das nossas Reservas (já que dinheiro não pode ficar parado)? Pois bem, um dos investimentos que o Banco Central fez foi pegar parte do dinheiro das Reservas e comprar títulos públicos do governo norte-americano (é, a crise começou lá no mercado hipotecário, bancos, seguradoras e empresas quebraram, mas investir em título do governo norte-americano ainda é considerado um negócio seguro). Pois bem, com a valorização desses títulos, a remuneração dessas aplicações do governo superaram os quase 10 bilhões dólares que foram retirados das nossas Reservas, então nossas Reservas acabaram aumentando e não diminuindo como era de ser esperar. Falando no popular: uma coisa acabou compensando a outra, no caso, mais do que compensou.

Olha, vou tentar dar um exemplo comigo para ver se concluo com uma maior clareza:
vamos supor que eu tenha cem mil reais na caderneta de poupança (ninguém me peça emprestado que é só um exemplo, não tenho não viu, gente), e que, também, eu tenha comprado 5 mil reais em títulos do governo brasileiro (LTN-Letras do Tesouro Nacional – v. postagem de 18.12), então minha “riqueza” se resumiria a essa poupança e a esse investimento em LTN; vamos supor agora que saquei 10% da minha poupança, ficando só com 90 mil reais (fiquei mais pobre, não foi?), mas se no mesmo período a LTN tenha tido uma valorização, e os meus 5 mil em LTN passaram a valer agora 20 mil, fiquei mais pobre? Não, pois o rendimento da LTN (15 mil) mais do que compensou o saque que fiz na caderneta de poupança (10 mil).

FINALIZANDO: com o aumento das Reservas e, paralelamente, a redução da nossa Dívida Externa, o Brasil é, pela primeira vez na história, credor líquido, ou seja, se fosse o caso o Brasil poderia quitar todas as dívidas (mas claro que ninguém quer isso pois seria necessário, praticamente, zerar as Reservas Internacionais).

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

DPMFi (que sopas de letras, hein?)

Uma das formas do governo captar recursos é vender Título Público, que é, entre muitas outras, uma alternativa para as pessoas investirem seu dinheiro. A venda de Título Público é um dos instrumentos de Política Monetária. Quando se fala em “dívida mobiliária do governo” ou “dívida pública interna” (DPMFi – Dívida Pública Mobiliária Federal interna) está se referindo, justamente, ao montante de Títulos Públicos que foi vendido ao público. Vamos supor, leitor(a), que ontem o governo emitiu títulos públicos e você os comprou, significa que ontem aumentou a dívida interna do governo e você, de posse desses títulos, passou a ser credor do governo. É você “emprestando” dinheiro para o governo e a garantia de recebimento é o título. No título consta a data do resgate (data em que você recebe seu dinheiro de volta e o título “volta” para o governo), e como seu dinheiro será corrigido. Esses títulos são emitidos pelo Banco Central ou pelo Tesouro Nacional (Ministério da Fazenda), mas nos últimos anos o Banco Central não tem feito emissões. Hoje, com R$100,00 (cem reais), já é possível, pela internet, adquirir esses títulos (basta acessar o site do Tesouro Direto abaixo indicado).

EXEMPLOS DE TÍTULOS PÚBLICOS:
LTN – Letra do Tesouro Nacional
NTN-F: Nota do Tesouro Nacional – Série F
NTN-F: Nota do Tesouro Nacional – Série C
LFT: Letra Financeira do Tesouro.

Existem três modalidades de venda desses títulos:
a) oferta pública com a realização de leilão;
b) oferta pública mas sem a realização de leilão (via Tesouro Direto: v. acima); e
c) emissões diretas para atender a necessidades específicas determinadas em lei (vou dar um exemplo do que vem a ser isso: no site do Banco Central consta que a emissão e venda do título público “NTN P – Nota do Tesouro Nacional Série P” teve como finalidade específica “o repasse de recursos oriundos das privatizações às empresas estatais, detentoras do capital da empresa privatizada”).

As mais recentes informações disponíveis são referentes ao mês de outubro 2008:

1. As emissões de títulos públicos federais internos alcançaram R$ 15,4 bilhões, assim distribuídos:

R$ 11,2 bilhões (72,55%) em títulos com remuneração prefixada (no título já constava a forma de correção do valor; não importa se você comprou um título para vencer, vamos supor, em 2045, a correção já está prefixada);

R$ 2,9 bilhões (18,67%) em títulos indexados à taxa SELIC - v. http://economistaivangargur.blogspot.com/2008/12/selic-e-taxa-selic.html (o que o investidor vai receber na data do vencimento do título vai depender da variação da taxa SELIC; se você comprou um título em novembro/2008, por exemplo, com vencimento para dezembro/2011, sua remuneração vai depender da variação da taxa SELIC nesse período);

R$ 1,1 bilhão (7,30%) em títulos remunerados por índices de preços (vamos supor que no título consta que a remuneração será pelo IGP-M*, o que o investidor vai receber na data do vencimento do título vai depender da variação do IGP-M; considerando o exemplo da taxa SELIC acima sua remuneração vai depender da variação do IGP-M entre novembro/2008 e dezembro;2011);

R$ 188,0 milhões (1,22%) em títulos indexados à TR** (o que o investidor vai receber na data do vencimento do título vai depender da variação da TR, mesmo raciocínio dos dois exemplos anteriores).

OBS.: nessa emissão o menor prazo de vencimento foi abril 2009 (para alguns títulos),
enquanto o prazo mais longo foi o ano de 2045 (para outros tipos de títulos).

2. Já o total de resgates de títulos da DPMFi em outubro foi de R$ 28,4 bilhões

OBS.: isso significa que no mês de outubro, considerando APENAS o resgate (R$28,4 bi) e as emissões (R$15,4 bi) a Dívida Pública Mobiliária Federal interna reduziu em R$13 bilhões (R$28,4 MENOS R$15,4).

3. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna em outubro era de R$1.226,27 (um trilhão, duzentos e vinte e seis bilhões), assim composta (em bilhões):

PREFIXADOS (no título já consta como o valor será corrigido): R$386,31(31,50%)

ÍNDICE DE PREÇOS (a remuneração vai depender da variação
do índice de preços que consta no título, é o exemplo que dei
acima com o IGP-M) R$364,81(29,75%)

SELIC (a remuneração vai depender da variação da taxa SELIC) R$444,70(36,26%)

CÂMBIO (a remuneração vai depender da variação da moeda
estrangeira que consta no título, pode ser o dólar, por exemplo) R$ 12,10( 0,99%)

TR (a remuneração vai depender da variação da TR) R$ 18,35( 1,50%)

T O T A L R$1.226,27(100,00%)

4. Composição da DPMFi quanto ao prazo de vencimento dos títulos:

Até 12 meses 26,38%
De 1 a 2 anos 26,02%
De 2 a 3 anos 10,30%
De 3 a 4 anos 11,86%
De 4 a 5 anos 5,75%
Acima de 5 anos 19,69%

T O T A L 100,00%

ATENÇÃO: o comprador do título público não precisa esperar a data do vencimento do título para "devolver" o título ao Tesouro Nacional e receber seu dinheiro, existe a possibilidade de vendê-lo antecipadamente ao próprio Tesouro Nacional (semanalmente o Tesouro faz as "recompras"), ou vender no mercado secundário (outros investidores).


Quem saber mais? Acesse:
http://www.bcb.gov.br/htms/Infecon/FinPub/cap6p.pdf
http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/


*IGP-M: Índice Geral de Preços do Mercado, é um dos índices de preços (mede a inflação); é calculado pela Fundação Getúlio Vargas; é utilizado, por exemplo, em contrato de aluguel de imóvel

**TR: Taxa Referencial; é uma taxa de juros que é a média dos juros aplicados pelas 30 maiores instituições financeiras, depois que é tirada essa média é aplicado um redutor; é utilizada, por exemplo, para corrigir o dinheiro depositado na Caderneta de Poupança (em futuras postagens trataremos, com mais detalhes, do IGP-M e da TR).

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

GOVERNO ABRE "SACO DE BONDADES"

SEÇÃO “DEU NA MÍDIA” – Jornal A Tarde (Agência Folhapress, Brasília), de 12.12.08, pág. B6: Pacote de R$8,4 bi contra a crise. O governo federal anunciou, ontem, medidas de desoneração de impostos para estimular o consumo. A previsão do próprio governo de que o País corre risco de recessão no início de 2009 levou o Ministério da Fazenda a acelerar a adoção das medidas divulgadas ontem para aumentar a renda do consumidor e reduzir pressões sobre o câmbio. Ao todo, a Receita vai abrir mão de R$8,4 bilhões em impostos para beneficiar os consumidores no próximo ano.

SEÇÃO “DESCOMPLICANDO A ECONOMIA”
1ª “bondade” (ou necessidade?): o governo já vinha estudando aumentar o número de faixas do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF)*, pois com a existência de apenas três faixas quem perde mais é a classe média, mas claro que a crise e a necessidade de estimular o consumo acelerou a adoção da nova tabela. COMPARANDO AS TABELAS:

TABELA A VIGORAR ATÉ 31.12.08:


















SALÁRIOALÍQUOTAPARCELA A DEDUZIR
Quem ganha até 1.372,81Isento-
Quem ganha de 1.372,82 até 2.743,2515,0%205,92
Quem ganha acima de 2.743,2527,5%548,82


TABELA A VIGORAR A PARTIR DE 01.01.09:


























SALÁRIOALÍQUOTAPARCELA A DEDUZIR
Quem ganha até 1.434,59Isento-
Quem ganha de 1.434,60 até 2.150,007,50%107,59
Quem ganha de 2.150,01 até 2.866,7015,0%268,84
Quem ganha de 2.866,71 até 3.582,0022,50%483,84
Quem ganha acima de 3.582,027,5%662,94


EXEMPLO: um contribuinte que ganha R$2.400,00 bruto (vamos considerar que ele não tem dependente, ou seja, não tem direito a nenhum abatimento):

R$2.400,00 (salário bruto) – R$264,00 (11% referente ao INSS) = R$2.136,00 (salário líquido)

TABELA ATUAL:
15,0% de R$2.136,00 = R$320,40 – R$205,92 (parcela a deduzir) = R$114,48 (valor descontado, mensalmente, do salário do contribuinte a título de Imposto de Renda Pessoa Física)

TABELA A PARTIR DE 01.01.99:
7,50% de R$2.136,00 = R$160,20 – R$107,59 (parcela a deduzir) = R$52,61 (valor a ser descontado, mensalmente, do salário do contribuinte a título de Imposto de Renda Pessoa Física)

OBSERVAÇÃO: o consumidor terá a mais na mão dele, por mês, R$61,87 (R$114,48 – R$52,61)

2ª “bondade” (ou necessidade?): novo I.P.I. – Imposto sobre produtos industrializados** para automóveis: como o setor automobilístico é um dos mais afetados pela crise econômica, pelo fato de depender muito do crédito (o que está mais difícil neste momento, com a redução do prazo e o aumento das taxas de juros), o governo reduziu a cobrança do I.P.I., agora é aguardar que a indústria automobilística repasse para o preço do carro essa redução do imposto (quando o governo aumenta o imposto os empresários repassam para o preço do produto, vamos esperar agora que repassem a redução):
NOVA TABELA:



























CILINDRADAGASOLINAÁLCOOL/FLEX
1.000 redução de 7% para 0%redução e 7% para 0%
De 1.001 a 2.000redução de 13% para 6,5%redução de 11% para 5,5%
Mais de 2.000 continua 25%continua 18%
Picape até 1.000redução de 8% para 1%redução de 8% para 1%
Picape de 1.001 a 2.000 redução de 8% para 4%redução de 8% para 4%



ACESSE http://g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL920908-9658,00.html e leia a matéria: “Após redução de IPI, carros populares têm preços reduzidos”

3ª “bondade” (ou necessidade?): a alíquota máxima do I.O.F – Imposto sobre Operações Financeiras** foi reduzida de 3% a.a.(ao ano) para 1,5% a.a. nas operações de crédito ao consumidor, o que representa uma redução de 0,0082% ao dia para 0,0041% ao dia.
EXEMPLO:
a) um empréstimo de R$10.000,00 para ser quitado em 90 dias pagaria de I.O.F.:
0,0082% ao dia X 90 dias = 0,7380%
0,7380% de R$10.000,00 = R$73,80

b) o mesmo empréstimo vai pagar agora de I.O.F.:
0,0041% ao dia X 90 dias = 0,3690%
0,3690%% de R$10.000,00 = R$36,90

* I.R.P.F. é um imposto direto, o contribuinte é taxado (descontado) diretamente na fonte (no salário)
**O I.P.I. é um imposto indireto, seu valor está embutido no preço final do produto (vai ser pago, então, pelo consumidor); foi criado em 1966; do total que o governo federal arrecada com o I.P.I. parte é distribuído entre os Estados e os Municípios (tanto o I.R.P.F como o I.P.I. serão mais detalhados em uma postagem específica sobre Tributos)
ATENÇÃO: optamos por apresentar aqui as três medidas que afetam, diretamente, o bolso do consumidor, a 4ª medida (empréstimos para empresas que têm dívidas em dólar a vencer em 2009), vamos abordar em outro momento, até por que vai ser necessário explicar o que são “Reservas Internacionais” de um país e o que é “dívida externa privada” (diferenciando, inclusive, de “dívida interna privada” e de “dívida externa pública”).
NOTA LEITORES: deu para perceber que ainda estou "apanhando" do blog e não consegui colocar os valores em coluna, tanto na tabela do I.R. como na tabela do I.P.I., mas vou ver como se faz e depois corrijo.






segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

EBITDA ou LAJIDA (entendeu alguma coisa?)

EBITDA - Earning Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization, a sigla em português é LAJIDA Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização. É um indicador financeiro para analisar a situação de uma Empresa; bastante utilizado pelos analistas, em especial os que trabalham no mercado de capitais. O EBITDA mostra o resultado operacional da Empresa, ou seja, diz respeito à atividade mesmo da Empresa, não leva em conta, por exemplo, despesas e receitas financeiras (exemplo: não considera possíveis juros que a Empresa recebeu no mercado financeiro). Então, aí sim é possível analisar se a Empresa é competitiva naquilo que faz, pois mede com mais precisão a produtividade e a eficiência do negócio. Permite mensurar o desempenho da atividade fim do negócio e o quanto essa atividade fim gerou de recursos para a Empresa.

NÍVEL EBITDA – quando se fala que uma Empresa tem um EBITDA, vamos supor, de 30% do faturamento, significa que, cada um real que ela faturou (vendendo produtos ou prestando serviços) gerou 30 centavos para o caixa da Empresa.
É um indicador importante para comparar o desempenho da Empresa com a concorrência e, também, a possibilidade de inserção no mercado internacional (lembrem que outros países têm impostos diferentes e regras de depreciação diferentes), então o EBITDA – que não leva em consideração esses itens – vai permitir que a Empresa compare seu desempenho OPERACIONAL com outras em outros países.
Lembram que alguns anos atrás, quando a inflação era altíssima e aplicar dinheiro em banco dava um alto retorno, muitas empresas eram, “aparentemente” lucrativas mas, na realidade, as operações dela eram deficitárias, o que encobria isso era o juro auferido nas aplicações financeiras, quando veio o Plano Real e “jogou” a inflação lá para baixo o que ocorreu? O retorno dessas aplicações financeiras “despencou” e apareceu a real situação dessas Empresas, e diversas quebraram (não procuraram ser competitivas no SEU NEGÓCIO, ganhavam dinheiro apenas no mercado financeiro).


ATENÇÃO 1: não existe consenso sobre a qualidade desse indicador, o EBITDA, mas uma coisa é certa, a análise bem feita de uma empresa DEVE envolver a análise de vários indicadores, e não apenas de um só indicador.


Se você quer saber mais sobre o EBITDA e tem algum conhecimento sobre Contabilidade acesse http://www.guiacontabil.hpg.com.br/ebtida.pdf . Foi desse site que tiramos o exemplo de como se calcular o EBITDA:

D.R.E. – Demonstração do Resultado do Exercício:
Vendas da Empresa 1.800.000,00
- CMV – Custo das Mercadorias Vendidas* 1.080.000,00
= Lucro Bruto 720.000,00
- Despesas Operacionais (com Vendas e Administrativas) 396.000,00
= EBITDA 324.000,00
- Depreciação 130.000,00
- Despesas Financeiras 79.200,00
+ Receitas Financeiras 3.600,00
= Lucro Líquido antes do IRPJ** e da CSLL** 118.400,00
- IRPJ e CSLL 37.900,00
= LLE – Lucro Líquido do Exercício 80.500,00

ATENÇÃO 2: notaram que para o cálculo do EBITDA só foi considerado o que diz respeito à parte operacional da Empresa? Observem que depreciação, Impostos, receitas e despesas financeiras, tudo isso só “apareceu” depois do EBITDA.

*CMV de uma Empresa para um determinado período = Estoque Inicial de mercadorias + Compras de mercadorias no período - Estoque Final de mercadorias (inventário)
**Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido

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1. EBITDA NA IMPRENSA:
“A receita líquida da Petrobras atingiu R$ 67,46 bilhões no terceiro trimestre, alta de 52% em comparação ao mesmo período de 2007. No ano, a receita apresenta um aumento de 35%, para R$ 168,921 bilhões. A geração de caixa medida pelo EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações, na sigla em inglês) da Petrobras somou R$ 15,68 bilhões, alta de 20% ante o terceiro trimestre de 2007. No acumulado do ano, o EBITDA aumentou 24%, atingindo R$ 47,686 bilhões”. (o negrito foi nosso)
(http://www.estadao.com.br/economia/not_eco276089,0.htm)

“A Embraer registrou lucro líquido de R$ 656,972 milhões em 2007. A geração de caixa medida pelo EBITDA (lucro antes de despesas financeiras, impostos, depreciação e amortizações) caiu 6,6%, para R$ 889,1 milhões no ano passado. A margem EBITDA recuou de 11,5% em 2006 para 8,9% em 2007”. (o negrito foi nosso)
(http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/03/14/lucro_da_embraer_cresce_56_em_2007_para_r_657_mi_1229196.html)

2. EBITDA NO RELATÓRIO ANUAL DAS EMPRESAS:
No site da COELBA localizamos os indicadores econômico-financeiros da Empresa (coloquei apenas alguns indicadores a título de curiosidade, mas o importante aqui é o EBITDA):
2004 2005 2006
Receita Operacional Bruta (R$ mil) 2.925.452 3.847.344 4.011.724
Receita Operacional Líquida (R$ mil) 2.065.672 2.702.117 2.734.343
Lucro Líquido (R$ mil) 344.163 581.445 540.559
EBITDA (R$ mil) 651.787 1.133 .696 1.037.449

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OBSERVAÇÃO:

Em outro momento falaremos sobre:

Depreciaçao.

Despesas .